Nossa História

Existe uma forte tendência na natureza humana de ir a extremos e de agir motivado por preconceitos. É sempre mais fácil chegar a um consenso sobre o que Deus fez no passado distante do que concordar sobre o que ele fez no passado recente. As pessoas tendem a tachar certos movimentos de heréticos sem ao menos conhecê-los.

Por outro lado, muitos são ingênuos a ponto de engolir por inteiro certas doutrinas e práticas novas quando deveriam julgar tudo e reter apenas o que é bom. Sem sombra de dúvidas o Espírito Santo tem trabalhado para restaurar a igreja do século XXI para ser a noiva imaculada de Cristo na sua segunda vinda. Deus não quer apenas renovar o mover do seu Espírito na igreja.

Ele deseja também restaurar a revelação clara e pura da sua palavra, produzindo assim mudanças radicais na nossa fé e em nossas estruturas. Dessa forma, unindo uma estrutura reformada com o poder do Espírito derramado, Ele pretende formar uma casa adequada para sua habitação permanente.

A situação espiritual da igreja em geral no final do século XIX, era de apostasia e frieza. O protestantismo Americano era rico, culto e influente, mas, com exceção de uns poucos grupos conservadores, seu estado espiritual era de decadência.

Imperavam o liberalismo, o mundanismo, o profissionalismo ministerial, a ausência de experiência com Deus etc. Instituições teológicas e acadêmicas que haviam sido levantadas para preservar a fé tinham se tornado o berço do darwinismo e do cepticismo à inspiração da Bíblia.

O nascimento físico, ao invés do nascimento espiritual, se tornou a base para fazer parte da igreja, a ponto de os termos “nascer de novo” ou “conversão repentina” terem se tornado arcaicos.

O conhecimento das doutrinas substituiu a experiência pessoal com Deus. “Separação do mundo” tornou-se um termo tão em desuso no vocabulário cristão que, para os protestantes em geral isto só tinha um significado – morte física! Os pregadores pioneiros que recebiam com fervor o “chamado de Deus” para ministrar o evangelho foram substituídos por homens que consideravam o ministério uma profissão e que se orgulhavam de sua posição. As denominações gradativamente iam se tornando a elite da sociedade.

Porém, paralelamente a essa apostasia e frieza espiritual, havia também alguns sinais dos remanescentes santos de Deus, indicando que nem todos haviam se ajoelhado diante de Baal. Um chamado para arrependimento, oração e intercessão estava soando e um texto muito usado nos últimos anos do século XIX era Jeremias 33:3 “ Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas que não sabes.”

Ministros e missionários se reuniam para estudar a palavra, a fim de averiguar o pensamento de Deus para o fim da Era da Igreja.

Havia também uma expectativa pela “chuva Serôdia” Esse era um tópico enfatizado nas conferências bíblicas baseado na promessa de Deus em Joel de derramar seu Espírito nos últimos dias.

Então Deus começou a derramar do Seu Espírito no final do século XIX, com manifestações de seus dons. Quase ao mesmo tempo a família Shakariam da Armênia e outros irmos da Rússia e Estados Unidos perceberam que havia um mover sobrenatural de Deus acontecendo em várias partes do mundo. Renascia nessa época o movimento pentecostal-carismático.

A princípio os pentecostais não criam em denominacionalismo. Eles criam que o derramamento do Espírito Santo na época era para unir a igreja e promover uma evangelização mundial, mas em pouco tempo, eles se organizaram como denominação com a intenção de proteger o movimento de heresias e confusão. Assim surgiram as Assembléias de Deus e outras denominações pentecostais com suas escolas e institutos bíblicos para treinar líderes e defender suas doutrinas básicas, entretanto não era apenas isso que estava no coração de Deus.

Então o Espírito Santo levantou homens específicos para continuar o processo de restauração da igreja, assim no início dos anos 20, Deus começa a trabalhar na China a recuperação do cristianismo bíblico através basicamente de dois homens, Watchaman Nee e Witness Lee. Nee é considerado uns dos homens de maiores revelações da palavra de Deus do século XX, seus ensinos claros e cristalinos da Bíblia, contêm uma das mais importantes compreensões das coisas que Deus revelou ao homem, na história da igreja. Nee escreveu dezenas de livros sobre os princípios da igreja, o mais revelador deles é “A vida normal da igreja” publicado em 1938.

Os ensinos de Nee se espalharam pelo mundo alcançando o ocidente chegando até ao Brasil, com a ênfase de que só pode haver uma igreja de Jesus Cristo em cada localidade. A maior preocupação de Nee, é que quando cessa de fluir no Espírito se estaciona em um dogma, e que todas as denominações começam como um movimento e terminam como um monumento. A palavra de Deus só pode ser cumprida através do Espírito Santo. (João 6:63) “O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita, as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida”.

Nos meados do século XX, o Dr. Ralph W. Neighbour, (USA) lutava para manter de pé esses ensinos de Deus no Estados Unidos. Ele dizia: “estou convencido de que a igreja tradicional ao redor do mundo está sendo gradativamente substituída por um ato de Deus. Os acontecimentos de hoje são de tal impacto quanto a grande revolução de 1517, nos dias de Martinho Lutero. Não se pode dizer que Lutero causou a primeira reforma. Ele foi somente o fósforo que acendeu o fogo; a madeira já estava pronta para queimar.

Cidades com um milhão de pessoas surgirão durante os próximos 20 anos em toda a face da terra. De que maneira poderão ser alcançadas para Cristo? Com certeza, não será através da implantação de denominações como as que conhecemos hoje! Se quisermos ficar abertos a este novo conceito de estrutura da igreja, devemos, em primeiro lugar, com grande amor e carinho, examinar o estilo de vida das denominações e descobriremos que estão em falta. Devemos fazer essa avaliação com sensibilidade e compaixão.

Quando falo das denominações, procuro afastar-me daqueles que transbordam de ira e criticas contra elas. Este espírito negativo nunca fará parte daquilo que estamos falando. Se usarmos a igreja do Novo Testamento como parâmetro para avaliar os irmãos de hoje, logo veremos a que distância nos afastamos do ponto onde começamos.

A idéia de igreja, que consiste de um prédio, um pastor e um rebanho reunindo a partir de uma “área paroquial” tem claros limites de ação do Espírito Santo. A estrutura certa não resolve tudo, pode haver uma estrutura certa cheias de irmãos carnais e nada vai funcionar, não adianta esperar um avivamento se a estrutura de igreja e reuniões não está permitindo que usemos o máximo o nível de vida e unção que Deus quer nos dar através de todo corpo.

Com odres novos o vinho novo será derramado.” Por volta dos anos 50 esse sentimento chegou à Inglaterra, veja as palavras de Artur Wallis,ditas naquela época: “muitos de nós na liderança havíamos chegado às mesmas convicções básicas no que se referia à igreja. Estávamos convencido de que o denominacionalismo era a grande barreira para o que Deus queria, e que as estruturas denominacionais não somente obscureciam a visão de “um corpo” como também dificilmente seriam um recipiente adequado para tudo que Deus queria conceder.

Aqueles de nós que estavam comprometidos com esta nova revelação, que já tínhamos visto esse mover do Espírito, começaram a encontrar um ao outro em Deus. Por todo o ano de 1971 tive uma crescente convicção de alguns de nós deveriam reunir-se para estudar as escrituras proféticas para ver se chegavam a um entendimento mais claro do plano profético de Deus.

Por isso, convidei seis irmãos para virem em minha casa em fevereiro de 1972. A discussão sobre os assuntos proféticos trouxe alguns esclarecimentos, mas a característica proeminente do tempo foi o fluir da profecia, através do qual Deus nos deu instruções detalhadas e específicas a respeito de nossos relacionamentos como ministérios.

Antes do final daquele ano, entramos em um relacionamento de aliança, comprometendo-nos com o bem estar um do outro de todas as formas, para “cobrir” um ao outro por meio de encorajamento, direção e, quando necessário, correção para a vida de cada um. Não tínhamos agido desta maneira antes, e o caminho não seria isento de dores e dificuldades. Nem éramos, agora, imunes a erros.”

A diferença entre o que Deus estava fazendo na Inglaterra com o que Ele estava movendo na América do Norte e do Sul, foi a posição mais madura dos irmãos ingleses, que uniram o conceito de ministério apostólico com a visão de discipulado.

Essa onda de renovação da igreja, explodiu na Argentina por volta dos anos 60, Alvert Darling, filho argentino de um cristão irlandês, foi batizado com o Espírito Santo e começou uma reunião na sua casa toda segunda-feira. Esse grupo de irmãos cresceu tanto que em pouco tempo ficou impossível continuar as reuniões em sua casa.

Eram irmãos de todas as denominações, a maior parte deles pertencia aos irmãos livres, batistas, menonitas, membros da Aliança Cristã, União Evangélica etc. Como resultado deste mover, vários pastores de diversas denominações começaram a desenvolver um relacionamento mais íntimo uns com os outros, entre eles os que mais se destacaram foram: Orville Swindoll, missionário americano na argentina; Keith Bentson, também missionário americano na argentina; Ivam Baker, argentino de origem inglesa; Jorge Himitian, armênio nascido em Haifa, Palestina, sua família foi para argentina quando ele tinha 7 anos e Juan Carlos Ortiz, pastor argentino das Assembléias de Deus.

Esses irmãos argentinos não estavam interessados apenas em avivamento, mas em reformar a estrutura da igreja. Eles enfatizavam para que a base das congregações fossem concentradas em família.em lugar de ver os jovens solteiros como únicos candidatos promissores a líderes, mais atenção deveria ser dedicada a homens que fossem cabeças de famílias para que houvesse famílias estáveis.

Eles compreenderam que, se a vida em família fosse mais valorizada, a formação dos filhos e dos jovens e também de novos cristãos seria mais exeqüível e coerente. Por isso, ênfase crescente através dos anos no núcleo familiar – que é a unidade básica da igreja, suas preocupações maiores não eram buscar um simples avivamento, mas buscar a normalidade.

Jorge Himitian, enfatizava três pontos básicos de que Deus não desejava apenas um avivamento mas uma total restauração da igreja:

1°) O Espírito Santo não está restaurando verdades isoladas, e sim recuperando o conjunto completo da verdade de Deus e do seu propósito;

2°) Não está havendo movimentos locais ou isolados, e sim uma renovação universal que está ocorrendo em nossos dias;

3°) Não se trata de uma simples recuperação de conceitos ou teorias, e sim de que o Senhor está movendo para levantar um povo para si, capaz de encarnar estas verdades. Isso significa que, mais que crer ou anunciar uma verdade, o Senhor quer levar-nos à necessidade de experimenta-la e encarna-la.

Arthur Wallis expressou isso do seguinte modo:

“Em síntese, queremos mostrar que cada onda de benção para a igreja não veio apenas para trazer a renovação imediata da vida espiritual daquela geração, mas também a recuperação de verdades espiritual. Isto significa que em todos os grandes movimentos através dos anos, o Senhor tem procurado recuperar a verdade perdida, trazendo o seu povo de volta ao cristianismo apostólico original.

Podemos notar claramente esta linha de reforma ou recuperação de verdade nos moveres de Deus através dos séculos. Esse objetivo é uma igreja – lavada pela palavra de Deus – que viverá e expressará plenamente a Cristo, não somente na terra mas em todo o universo.

 

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